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Posto de saúde · Saúde e SUS

De onde veio o SUS e por que ele importa

Antes dele, ser atendido dependia de ter carteira assinada. Esta é a história de como isso mudou, do que existe hoje e do que ainda falta.

Antes de 1988

Saúde dependia da carteira de trabalho.

Quem tinha carteira assinada era atendido pelo INAMPS, o instituto da Previdência. Uns poucos pagavam médico particular.

O resto do país não tinha direito garantido a nada. O trabalhador da roça, a diarista e o desempregado batiam na porta das Santas Casas e eram atendidos, quando eram, na condição de indigentes.

1986 a 1990

O Brasil escreveu uma frase nova.

A saúde é direito de todos e dever do Estado.Constituição de 1988, artigo 196

A ideia saiu da 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, e entrou na Constituição dois anos depois. A lei que criou o SUS é de 19 de setembro de 1990.

A partir dali, ninguém mais precisava provar que trabalhava para ser atendido.

Hoje

O que tem dentro do SUS

  • Posto do bairro
  • Vacinas
  • SAMU 192
  • Remédio de graça
  • Tratamento de HIV
  • Transplantes
  • CAPS
  • Vigilância sanitária

Quase nove em cada dez brasileiros usam o SUS (89,3%). Em 2025 foram mais de 31 mil transplantes, e o SUS pagou cerca de 86% deles. O tratamento de HIV é gratuito desde 1996 e chegava a cerca de 770 mil pessoas em 2024.

Outro caminho

Onde não existe um SUS, a doença pode virar dívida.

Nos Estados Unidos, a saúde depende quase sempre de um seguro. Em 2024, 8% da população não tinha nenhum: cerca de 27 milhões de pessoas.

Mesmo com seguro, a conta chega. Cerca de 41% dos adultos americanos têm alguma dívida com médico ou dentista.

Os Estados Unidos também têm programas públicos, para idosos e para os mais pobres. E quem defende o modelo de lá destaca a rapidez no atendimento de quem tem um bom seguro.

O que o SUS ainda deve

A fila é real.

Mais de 80 mil pessoas esperam por um transplante. E 45,4% dos brasileiros dizem não confiar na qualidade do atendimento.

Parte do problema é dinheiro: o Brasil gasta perto de 3,8% do PIB em saúde pública, e a Opas recomenda 6% para um sistema aberto a todos. Outra parte é organização: muita gente espera por especialista por um caso que o posto do bairro poderia resolver.

Os dois lados

Os dois querem a fila menor. Discordam de como chegar lá.

Quem vota à esquerda

“Saúde é direito. O SUS faz muito com pouco.”

Por que pensa assim

Quem pensa assim lembra do tempo em que só era atendido quem tinha carteira. E vê que o mercado não abre hospital onde não dá lucro.

Que solução propõe

Mais dinheiro público, mais equipes de Saúde da Família, carreira para os profissionais e produção nacional de vacinas e remédios.

Quem vota à direita

“Mais dinheiro sem gestão vira fila do mesmo jeito.”

Por que pensa assim

Quem pensa assim vê a fila, o hospital sem médico e a notícia de desvio. E confia mais em quem precisa disputar o cliente para sobreviver.

Que solução propõe

Parcerias com hospitais privados e organizações sociais, metas com cobrança de resultado e planos de saúde mais baratos, para tirar gente da fila do SUS.

E a corrupção?

Desvio se combate com fiscalização.

Existe desvio de dinheiro na saúde, e quem desvia precisa ser investigado e punido. Nisso os dois lados concordam.

A discordância vem depois. Quem critica diz que um sistema tão grande precisa de muito mais controle, e tem razão em cobrar. Quem defende o SUS responde que acabar com o serviço pune o paciente, e não quem roubou: quando alguém rouba a merenda, a resposta é punir o ladrão e manter a escola aberta.

Para levar

Se o SUS acabasse amanhã, o que mudaria na sua família?

Pense na última vacina, no último exame, no parente que toma remédio todo mês. Não precisa responder para ninguém.